segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A poesia segundo Nauro Machado



Aniversário

Nenhuma alegria resta
ou sequer nenhuma queixa:
estou sozinho na festa
onde ninguém mais festeja.
Nada espero de ninguém,
pois nada me faltará:
já abri a porta e disse amém
para a infância que é o meu lar.
Do silencio como um rato
roedor dos próprios restos,
nenhuma vida mais resta
no vazio desses quartos.
Sequer a luz pelas frestas
das suas cegas vidraças
acende as velas sem festa
na tranca escura das traças.

Nauro Machado foi um poeta, escritor e servidor público maranhense.
Postar um comentário