sábado, 31 de dezembro de 2016

A poesia segundo o roqueiro baiano Marcelo Nova



Deus me dê grana

Senhor vou lhe falar
Nunca pedi assim
Sempre rezei pros outros
Mas desta vez é pra mim.
Perdi tudo que eu tinha
Sei que fiz muita besteira
Mas se você não achar meu bolso, Deus
Por favor coloque na carteira.

Se eu fico aqui parado nesta bobeira sem fim
Logo, logo "os homi" vão estar atrás de mim
Você tá numa boa, é o dono do paraíso
Então me empresta uns trocados, Deus, é só disso que
eu preciso

Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

De manhã bem cedo alguém bate em minha porta
É a proprietária que eu sonhei estava morta
Pulo pela janela na maior correria
Mas é muito difícil, Deus, com a barriga vazia

Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Quando passa aquela loira que mora aqui do lado
Só de imaginar eu fico super excitado
Mas como eu posso amar uma treta decente
Se até me falta pasta, Deus, pra escovar os dentes

Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror

Senhor, eu sei que você é gente fina
Sei também que dureza nunca foi a minha sina
Aceito de bom grado uma bolada qualquer
Pode me dar em cheque, Deus, ou em dollar se puder

Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror .

"Deus de tão envolvido com os problemas lá do Céu, não houve os pobres coitados que ele colocou aqui na terra como cobaias. Cobaias de um Deus insensível, que permite que milhões de filhos seus morram de fome e sede, enquanto uma minoria vive nababescamente, se alimentando de finas iguarias, celebra a passagem do ano com caviar, champagne francesa em iates ou hotéis dignos de Aristóteles Onassis. “Me sinto uma cobaia, um rato enorme. Nas mãos de Deus, mulher De um Deus de saia Cagando e andando.” (Cazuza). Deus é uma invenção do homem para submeter outros homens ao seu poder e domínio. Se esse Deus que os cristãos, judeus e muçulmanos (Alá) acreditam, existe, ele é um ser insensível, sem humanidade, egoísta e masoquista. Sem querer agradar ninguém e sendo absolutamente sincero, eu renego esse Deus Impiedoso que não visita as favelas, as periferias, não conhece a realidade dos moradores de ruas, dos sem tetos, dos prisioneiros e dos lares onde a miséria é tanta, que as pessoas não sabem o que é celebrar o Natal." (Dom Severino)  
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